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Estefanie Ribeiro

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Você foge da dor?

  • junho 14, 2017
  • - Por Psicóloga Estefanie Ribeiro

"A dor anestesiada se transforma em sofrimento. No modelo médico a saúde é considerada ausência de dor. Para a psicoterapia a saúde é sentir... e, portanto, sentir dor. O trabalho terapêutico deve acordar essa dor anestesiada. Quando a dor aparece na fronteira de contato ela se transforma em beleza." (Giani Francesetti)

Em nossa vida a gente aprende a se alienar e evitar sentimentos como a perda, a frustração e a dor, como se eles fossem necessariamente ruins, negativos e não pudessem ser vividos ou sentidos. Lutamos para não entrar em contato, não enfrentar situações que sejam dolorosas e acabamos nos anestesiando e nos alienando de nossas emoções. 
O caminho mais fácil para preencher esse vazio e se alienar da dor, que causa incômodo, seria, então, a pílula mágica que auxilia a amenizar isso. Ter um antidepressivo guardado na carteira já é sinal de status. Um bom ansiolítico para dormir, eficaz, são objetos de consumo que não devem ser esquecidos na despesa do mês. As pessoas não toleram a dor, a tristeza, a angústia, em si e nos outros. Na nossa sociedade contemporânea os indivíduos são induzidos a todo momento a mover-se, fazer coisas, a tomar decisões, a agir, e quem escolhe estar com sua dor é visto com restrições. Daí surge o sucesso das drogas (lícitas e ilícitas), das medicações como um todo... Nossa cultura está repleta de pessoas viciadas em algo - álcool, comida, cigarro, trabalho, televisão, internet, dinheiro, poder, religião: maneiras de nos preenchermos com coisas externas a nós e evitarmos, a todo custo, a dor.
Formular um remédio que propicie um estado de felicidade imperturbável diante das vicissitudes da vida, não é do humano, mas parece estar sendo o caminho mais fácil para preencher um vazio que causa ansiedade.¹ 
De acordo com o autor da psicanálise, Bion, é importante que as pessoas possam não somente "sentir" dor, mas, para além disso, "sofrer a dor". Sofrer a dor é entrar em contato com ela, permitindo que ela lhe atravesse, para a partir daí poder elaborá-la e encontrar caminhos para lidar com ela. 
Para este mesmo autor, na dor psíquica, é necessário sofrê-la, pois só assim é possível crescer com a experiência. Todo processo de mudança de um individuo, em psicoterapia, por exemplo, sempre virá acompanhada de dor e sofrimento, sendo que o mesmo pode fugir da dor ou enfrentá-la. Esta última opção, este último caminho, em grande parte é o que trás maior transformação. A dor que não é sofrida, apenas "sentida", muitas vezes aparece no corpo. Quando a pessoa não se permite sofrer, entrar em contato e vivenciar aquela dor, ela pode vir em forma de doenças psicossomáticas ou psicopatologias. Entrar na dor supõe vivenciar a experiência, sentir a emoção para, finalmente, deixá-la ir e liberá-la de forma natural.


É o sofrimento que nos move. Não é preciso, por assim dizer, buscar o sofrimento, mas não devemos pensar sempre que é preciso acabar com o ele. Nós não queremos dar o tempo do sofrimento no corpo, que é o rastro do sofrimento que rasga a sua alma pra ela ficar mais larga. Uma das razões do sofrimento é o rompimento da alma, pra ela se tornar maior, e quando a alma se torna maior, ela cabe mais mundo, ela permite mais contradição, então uma pessoa amadurece quando ela lida melhor com o sofrimento.²
Atentemos também para o fato de que a anestesia não é seletiva: se você a aplica para não sentir dor, estará se desconectando de si, de suas emoções e sentimentos, sejam eles "bons ou ruins" e, por fim, anestesiando-se e alienando-se da própria vida. Segundo o já citado psicanalista Bion, "o paciente que não sofre dor é incapaz de 'sofrer prazer'"³. Pensemos nisso.

E, para finalizar, gostaria de deixar uma música que tem tudo a ver com o tema desse texto:

"Não tome comprimido, não tome anestesia. Não há nenhum remédio, não vá pra drogaria. Deixe que ela entre, que ela contamine, que ela te enlouqueça, que ela te ensine. Não fuja da dor. Não fuja da dor. Não tome novalgina, não tome analgésico. Nenhuma medicina, não ligue para o médico. Deixe que ela chegue, que ela te determine, que ela te consuma, que ela te domine. Não fuja da dor. Não fuja da dor. Querer sentir a dor não é uma loucura. Fugir da dor é fugir da própria cura."

Titãs - Não Fuja da Dor (Ouça Aqui)
» Referências utilizadas: 1 - 23

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Psicóloga formada pela UFF, mestranda em Psicologia pela UFRRJ atuando com Psicoterapia para adolescentes e adultos em consultório particular pela abordagem gestáltica. CRP: 05/52172 - Contato: (24) 99909-2528 e contato@estefanieribeiro.com. Me acompanhe no Instagram, basta clicar no símbolo abaixo ⬇

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